quinta-feira, 18 de agosto de 2011

"Jovens não têm futuro a não ser que quebrem o sistema", diz Francisco de Oliveira



CLAUDIA ANTUNES
DO RIO

No capitalismo, o ócio é o usufruto de um tempo conquistado na relação entre trabalhadores e empregadores. Sem trabalho, não existe ócio. Portanto, nos países capitalistas avançados que convivem com altas taxas de desemprego, os jovens "não têm futuro, a não ser que quebrem o sistema".

Esse foi o raciocínio exposto na noite de terça-feira no Rio pelo sociólogo Francisco de Oliveira, professor emérito de USP, convidado a fazer uma abordagem marxista do "elogio à preguiça" no ciclo de conferências organizado pelo filósofo Adauto Novaes --e que ocorre também em São Paulo e Belo Horizonte.

"A reprodução do sistema vai levando a formas cada vez mais sofisticadas de uso do trabalho que desmontam as velhas estruturas", disse Oliveira, 77.

Citou um exemplo europeu: "A Espanha, um sucesso formidável depois que entrou na União Europeia, agora tem 25% da força de trabalho desempregada, a maioria jovens. O tipo de emprego que o capitalismo industrial criou durante 50 anos, dos anos 1930 aos 80, desapareceu. O sistema tem mais capacidade de produzir esses jovens desempregáveis do que antes."

Segundo Oliveira, o Brasil não está imune a essa tendência maximizada pela revolução digital, "que economiza trabalho e multiplica sua potência por dez, 20 vezes". Ele comparou a euforia econômica recente no país a um orgasmo de velho.

"O Brasil está em êxtase porque o salário mínimo cresceu, o emprego formal cresceu. Esse êxtase é quase como um orgasmo de velho. São os indicadores de 1956. Já ingressamos em todos os problemas e contradições do capitalismo desenvolvido, embora nossa taxa de miséria seja altíssima."

Disse que há um descolamento entre a produção e a escola e deu como exemplo as listas de candidatos a concursos públicos, cheias de universitários: "Somos a sociedade da cópia. A não ser que reinvente a roda, você vai copiar a forma do capitalismo mais desenvolvido, e essa desemprega".

Em sua palestra, Oliveira contrastou o elogio à preguiça "um tanto romântico" da tradição clássica com as "contradições" modernas. Lembrou que, na Grécia antiga, o ócio criativo que "produziu as obras fundamentais da cultura ocidental" era sustentado pelo trabalho escravo.

"Todo ócio repousa sempre no fato de que alguém trabalha para você. Outro ponto é que o ócio, lido como a capacidade de usufruir do próprio tempo, só se sustenta se houver uma força de trabalho capaz de produzir as condições materiais para sustentá-lo."

Dessa forma, um desempregado à procura de emprego não usufrui do ócio, mas apenas os trabalhadores organizados que conseguem "instaurar a preguiça" numa relação em que o tempo é "constantemente vigiado".

"O capitalista quer igualar tempo de trabalho e tempo de produção. Os trabalhadores tratam de desigualá-los para sobreviver melhor", explicou o sociólogo.

Para Oliveira, a cultura brasileira ainda está impregnada do olhar antigo sobre o ócio. "Não valorizamos o trabalho, mas o talento, como se Pelé fosse uma força da natureza. Como se pudesse ter havido um Machado de Assis se ele não tivesse trabalhado dia e noite nas redações de jornais."

O sociólogo disse ainda que o próprio Karl Marx tinha preconceitos próprios aos "cavalheiros do século 19" ao tratar dos trabalhadores: "Ele tinha desprezo pelo desempregado, o lumpemproletariado, bagaço de cana já moída. Marx não é teórico do trabalho, mas do capital e da mercadoria".

No entanto, brincou, o autor de "O Capital" era um "preguiçoso arrematado" em outro sentido, o daqueles que não vendem seu trabalho e exercem atividades no interior do sistema que vão contra ele. "Marx nunca teve emprego de carteira assinada."

Por que os saqueadores deveriam ler Rousseau


JOHN KAY
DO "FINANCIAL TIMES"

O Reino Unido viveu duas crises neste mês de agosto, uma nas ruas e uma nos mercados. O filósofo francês Jean-Jacques Rousseau percebeu a questão comum três séculos atrás. As gangues que ele observou não estavam nas ruas das cidades ou nas bolsas de valores --eram caçadores. "Para que um cervo pudesse ser abatido, todo o mundo via que ... cada um teria que conservar-se fielmente em seu posto; mas se uma lebre por acaso estivesse ao alcance de qualquer um deles, não se duvidava que ele a perseguiria sem escrúpulos, e, tendo abatido sua presa, se importaria muito pouco se, pelo fato de tê-lo feito, tivesse levado seus companheiros a deixar de abater a deles."

Rousseau foi um crítico precoce e incisivo da ideia de que o comportamento autointeressado resulta necessariamente no benefício de todos. Para que se abatesse um cervo na caçada, seria preciso determinar valores comuns e provavelmente impor esses valores por meio de algum tipo de hierarquia. Sem essa estrutura, não haveria mais que uma lebre ocasional para o jantar. É pouco provável que as pessoas que introduziram o conceito de "comer o que você mata" nos serviços profissionais modernos tenham lido Rousseau. E vale apostar que tampouco o haviam feito as pessoas que roubaram artigos eletrônicos das lojas de Tottenham que tiveram suas vitrines quebradas.

Duas teorias econômicas amplas descrevem a alocação de renda e riqueza. A teoria do poder afirma, em linhas gerais, que as pessoas recebem aquilo de que se apropriam: da floresta, dos mercados ou da vitrine da loja. A distribuição de renda reflete a distribuição do poder. Isso foi verdade, claramente, durante a maior parte da história: o proprietário de terras pegava o que podia de seu locatário, o barão pegava o que podia do proprietário de terras, o rei pegava o que podia de todo o mundo. O sexto duque de Muck era rico porque o primeiro duque de Muck tinha sido um líder de gangue especialmente bem sucedido. A teoria alternativa reza que o que as pessoas recebem reflete sua produtividade marginal --quanto elas, pessoalmente, acrescentam ao valor de bens e serviços. A teoria da produtividade marginal possui muitas atrações, especialmente para as pessoas que são bem pagas: se aquilo que elas recebem é produto de seus próprios esforços, sua recompensa com certeza é merecida.

A organização colaborativa apenas ocasionalmente era necessária em uma sociedade agrícola em que não havia títulos de crédito garantidos por ativos, nem produtos elétricos nas lojas. Mas em uma economia moderna complexa, assim como em uma floresta povoada por cervos, a produção requer o envolvimento de muitas pessoas. Na descrição que fez de uma fábrica de alfinetes, Adam Smith se maravilhou com a eficiência resultante desse trabalho em conjunto. Mas se, como ele descreveu, um homem produzia o ferro e outro o esticava, quem poderia definir qual era a produtividade marginal de cada um? E qual era o produto marginal do executivo-chefe da fábrica de alfinetes, ou da pessoa que protegia a exposição a divisas estrangeiras sobre os alfinetes inacabados, cujas contribuições o estudioso escocês deixou de mencionar, numa omissão inexplicável?

Se a fábrica de alfinetes realmente aumentava a produtividade da fábrica por um fator de pelo menos 240, como afirmou Smith, provavelmente havia um superávit quando os assalariados tinham recebido seu produto marginal, fosse ele qual fosse. E, quando chegava a hora de dividir esse superávit, a distribuição da autoridade no interior da fábrica de alfinetes seria crucial. Essa distribuição com certeza favoreceria o executivo-chefe. Como o executivo-chefe redigiu --ou, no mínimo, encomendou-- o relatório anual da fábrica de alfinetes, o argumento moral e econômico poderia ser colocado de ponta-cabeça. Se você tivesse sido pago um valor alto, isso mostraria que você contribuíra muito. O valor recebido era justificado por esse fato apenas. Assim a ética da recompensa justa pelo esforço feito deu lugar à cultura atual, em que o direito é de quem detém a posse.

Uma pesquisa recente feita com crianças --pela Sky Television, surpreendentemente-- mostrou que, onde elas antes desejavam tornar-se profissionais de algum tipo quando crescessem, hoje aspiram tornar-se celebridades. Elas esperam se tornar astros pop ou jogadores de futebol, não médicos ou professores. Como o sexto duque de Muck, elas querem respeito: ser valorizadas pelo que são, não pelo que contribuíram. É claro que as crianças dizem aos adultos o que estes querem ouvir. Mas as expectativas dos adultos representam uma confirmação adicional de até que ponto os valores econômicos e sociais foram erodidos.



Tradução de Clara Allain

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/961171-por-que-os-saqueadores-deveriam-ler-rousseau.shtml

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Fotos em até 360 graus com o seu PC ou iPhone

Download to enter the Summer Xbox Contest

Photosynth: para fazer fotos em até 360 graus com o seu PC ou iPhone
Software "cola" as imagens automaticamente, fazendo com que todo o ambiente seja documentado em uma única foto


09 de Agosto de 2011 | 17:57h
















Leia a matéria na integra

Você já deve conhecer as câmeras que fazem fotos panorâmicas... Mas o Photosynth é ainda melhor: ele monta sua imagem em até 360 graus, sem nenhuma dificuldade, e em 2 passos.

O serviço funciona de duas formas: a primeira é online. Você tira as fotos com a sua máquina fotográfica comum, faz o upload, e costura todas elas aqui nessa página. A outra possibilidade é captar as imagens com o iPhone – foi o método que utilizamos para a demonstração, que é ainda mais fácil. Clicando no centro da tela você tira a primeira foto e aí, basta apontar para os lados, movimentando devagarzinho. O app tem um sistema que mostra para você quais as partes da sua fotografia que você já registrou. Então, basta ir posicionando a câmera para o lado, fazendo a sua volta completa, fotografando cada pedacinho ao seu redor. Assim que tiver finalizado as imagens, aperte "Finish" e pronto! O aplicativo vai unir para você as fotos de modo que elas se tornem uma única imagem panorâmica. Você pode compartilhar a foto pelo Facebook, email ou salvar no seu iPhone, e ainda pode deixá-la armazenada no próprio smartphone. No serviço web, é a mesma coisa, mas é necessário baixar o software. Você insere as imagens da máquina digital e vai juntando cada pedaço até formar a panorâmica.

Tá afim de experimentar a novidade? Acesse a App Store ou clique no link que acompanha esta matéria para montar suas imagens em 360 graus.



Fonte:

Arnaldo Jabor fala sobre a violência nos países ocidentais


Terça-feira, 09/08/2011

Arnaldo Jabor diz que a opinião pública mundial ganhou consciência de que o poder que nós conhecemos tem que ser modificado. Ele também falou que as redes sociais e as comunicações instantâneas tornam o poder mais vulneráveis.




Volte para o antigo chat do Facebook e veja todos os contatos online

Como voltar ao chat antigo do Facebook? (Foto: Reprodução)

Volte para o antigo chat do Facebook e veja todos os contatos online

Hélio BentzenPara o TechTudo


Aplicativos necessários: FB Chat Sidebar Disabler para Firefox, Chrome ou Opera
Números de passos: 9

Recentemente, o Facebook lançou sua nova interface de chat, e muita gente não gostou da novidade. O atual formato lista somente os contatos mais relevantes de sua rede, porém não existe rolagem (scroll) para visualizar os demais contatos. Tampouco é possível visualizar somente os contatos online.

Como voltar ao chat antigo do Facebook? (Foto: Reprodução)Como voltar ao chat antigo do Facebook? (Foto:
Reprodução)

A nova barra lateral de bate-papo doFacebook foi uma tentativa de fazer o seu bate-papo mais inteligente. Mas, com certeza, a ferramenta tornou-se um verdadeiro inconveniente para muitos usuários. A barra lateral passou também a ocupar um espaço fixo maior, que dificulta a navegação para quem conecta a partir de um monitor pequeno, como um netbook, por exemplo.

O objetivo desta dica é mostrar que é possível deixar o bate-papo do Facebook no formato antigo, com o procedimento listado abaixo. A solução para o problema é, basicamente, a utilização de add-ons/extensões para corrigir o novo chat.

Obs.: O tutorial só funciona para os navegadores Google Chrome, Mozilla Firefox ou Opera, para Windows ou Mac.

Correção do Chat do FB no Google Chrome

Passo 1. Faça o download do FB Chat Sidebar Disabler para Chrome;

Passo 2. Clique no botão "Instalar";

Passo 3. Após a instalação, basta atualizar a página do Facebook ou reiniciar o Chrome e ficar com sua antiga barra lateral do Facebook de volta.

Correção do Chat do FB no Mozilla Firefox

Passo 4. Faça o download do FB Chat Sidebar Disabler para Firefox;

Passo 5. Clique no botão "Add to Firefox" e instale o add-on;

http://www.techtudo.com.br/dicas-e-tutoriais/noticia/2011/08/volte-usar-o-chat-antigo-do-facebook-e-veja-os-contatos-online.html?utm_source=facebook.com&utm_medium=referral&utm_campaign=editorial

Fonte:

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

CET começa a multar motorista que desrespeitar os pedestres no centro de São Paulo

Em SP, três são atropelados no 1º dia de fiscalização


Em São Paulo

Três pedestres foram atropelados na manhã de hoje, na capital paulista, no primeiro dia de intensificação da fiscalização da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) contra motoristas que desrespeitam pedestres. Dois deles foram por ônibus e o terceiro causado por uma motocicleta.

Um pedestre ficou gravemente ferido ao ser atingido por um ônibus, por volta das 8 horas, na faixa exclusiva de ônibus, na Rua Professor Vicente Rao, junto à Avenida Santo Amaro, sentido marginal, em Campo Belo, na zona sul de São Paulo. A vítima foi socorrida por uma equipe do helicóptero da Polícia Militar (PM), e levada para o Hospital das Clínicas.

Segundo o Centro de Operações dos Bombeiros (Cobom), uma moto atropelou um pedestre na Rua Barão de Tatuí, em Santa Cecília, região central da cidade. Ele foi levado para o Pronto-Socorro Barra Funda. Outra vítima foi atropelada por um ônibus, na Avenida Rangel Pestana, no Brás, e foi encaminhada ao Hospital Vergueiro.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia/2011/08/08/em-sp-tres-sao-atropelados-no-1-dia-de-fiscalizacao.jhtm

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Rio 2016 Strategic Pillars

Rio 2016 Olympic and Paralympic Games

 
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